Cartões de Crédito
Compare todos os cartões de crédito do PicPay. Veja anuidade, cashback, programas de pontos e benefícios de cada opção.
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O PicPay nasceu como carteira digital e virou banco, e a linha de cartões reflete essa origem: tudo gira em torno do app e das ofertas que aparecem dentro dele. São quatro cartões, um gratuito e três pagos, e a elegibilidade depende de uma oferta liberada no aplicativo após análise de crédito.
O PicPay Gold é o cartão de entrada, Mastercard Gold, sem anuidade e sem cashback. Acima dele, o Platinum e o Black custam R$ 588 por ano cada um, e o Epic cobra R$ 598,80. O detalhe que muda a decisão está no cashback: 0,5% no Platinum, 1,2% no Black e 1,3% no Epic. Dois cartões com preço quase igual devolvendo percentuais muito diferentes.
Vale começar pela comparação mais desconfortável da linha. O Platinum custa R$ 588 por ano e devolve 0,5% de cashback. O Black custa exatamente os mesmos R$ 588 e devolve 1,2%, mais que o dobro, além de trazer os benefícios de bandeira Mastercard Black.
Ou seja, pelo mesmo preço, o Black entrega mais em qualquer cenário de gasto. Se a oferta que aparecer no seu app for a do Platinum, a pergunta certa a fazer é o que falta para o Black ser liberado, e não se o Platinum vale a pena. Com 0,5%, seriam necessários quase R$ 118 mil de gasto anual só para o cashback cobrir a anuidade. Poucas pessoas nessa faixa aceitariam um Platinum.
O Black cobra R$ 588 e devolve 1,2%: o cashback empata com a anuidade em torno de R$ 49 mil por ano, cerca de R$ 4.080 por mês. O Epic cobra R$ 598,80 e devolve 1,3%, empatando perto de R$ 46 mil por ano, algo como R$ 3.840 por mês.
O Epic é, portanto, ligeiramente mais eficiente: cobra R$ 10,80 a mais por ano e devolve 0,1 ponto percentual a mais. Para quem gasta acima de R$ 4 mil por mês, ele leva vantagem. Para quem gasta menos que isso, nenhum dos dois compensa, e o Gold gratuito é a escolha racional, ainda que não devolva nada. A diferença entre os dois cartões pagos é pequena o bastante para que outros fatores, como oferta disponível no app, decidam.
O cashback dos cartões pagos cai no Cofrinho de Cashback do PicPay, e não como abatimento direto na fatura. O dinheiro fica ali, disponível para uso dentro do app ou para transferência, conforme as regras vigentes do banco.
Isso tem um efeito prático que poucos comentam: o cashback só vale se você usá-lo. Dinheiro parado em uma caixinha do app, esquecido por meses, é dinheiro que não abateu fatura nem rendeu no seu investimento. Quem contrata um cartão pago pelo cashback precisa criar o hábito de resgatar, senão o benefício vira um saldo simbólico enquanto a anuidade é cobrada com pontualidade.
O acesso aos cartões depende de uma oferta que aparece no aplicativo, para maiores de 18 anos, sujeita à análise de crédito. Não há uma renda mínima publicada, e você não escolhe livremente o tier: o banco oferece o que a análise permitir.
Na prática, isso significa que usar o app, manter saldo, movimentar a conta e pagar em dia tende a ampliar as ofertas disponíveis. Também significa que não adianta procurar um caminho para o Epic se a oferta não estiver liberada. Desconfie de qualquer pessoa ou site que prometa liberar cartão PicPay mediante pagamento, porque a oferta só existe dentro do aplicativo oficial.
Como em qualquer emissor, o custo pesado mora no rotativo e no parcelamento de fatura, entre as linhas mais caras do sistema financeiro brasileiro. As taxas variam por cliente e ficam visíveis na fatura e no app.
Saque com o cartão de crédito cobra tarifa e começa a render juros no mesmo dia. Compras internacionais somam IOF e conversão cambial. E há o ponto específico das carteiras digitais: recursos como Pix no crédito e parcelamento dentro do app são financiamentos com custo, mesmo quando a interface os apresenta como uma conveniência. Um cashback de 1,3% não sobrevive a um mês de rotativo.
Duas fraquezas reais. A primeira é o Gold: um cartão gratuito que não devolve nada e não acumula pontos perde para vários gratuitos do mercado que oferecem cashback ou programa de pontos sem cobrar anuidade. Ele serve como porta de entrada, e não como destino.
A segunda é a estrutura de preços. Ter um Platinum que custa o mesmo que o Black e devolve menos da metade é difícil de justificar para o cliente. Na faixa dos R$ 600 de anuidade, o PicPay disputa com cartões que oferecem programas de milhas com transferência para companhias aéreas, algo que o Cofrinho não substitui para quem viaja.