CET: o número que os anúncios não mostram
Todo anúncio de empréstimo destaca uma taxa de juros atraente. Só que a taxa de juros não é o que você paga. Sobre o valor emprestado ainda incidem o IOF, tarifas de contratação, seguros embutidos e, em algumas modalidades, custos de registro de garantia. O CET, sigla para Custo Efetivo Total, é o percentual que junta tudo isso: juros mais todos os encargos, expresso ao mês e ao ano.
Por regulamentação do Conselho Monetário Nacional, toda instituição financeira é obrigada a informar o CET antes de você assinar o contrato. Ele aparece na simulação e no contrato, geralmente em letra menor que a taxa promocional. É ali que você deve olhar.
Por que a taxa anunciada engana
Imagine duas propostas de R$ 10 mil em 24 meses. O banco A anuncia 1,8% ao mês, mas cobra tarifa de cadastro e um seguro prestamista embutido. O banco B anuncia 2,0% ao mês, sem tarifa e sem seguro. Olhando só a taxa, o A parece mais barato; olhando o CET, o B pode vencer com folga. Sem o CET, você compara maçãs com laranjas.
Há ainda a pegadinha do “a partir de”. A taxa mínima anunciada vale para o melhor perfil de cliente, não necessariamente para você. A sua taxa real só aparece na simulação com os seus dados, e o seu CET real, junto com ela.
Como usar o CET na prática
- Simule o mesmo valor e o mesmo prazo em todas as propostas; CET de cenários diferentes não se compara.
- Anote o CET ao ano de cada proposta e o valor total a pagar ao fim do contrato.
- Escolha pelo menor CET, não pela menor parcela; parcela pequena com prazo longo costuma esconder o maior custo total.
- Pergunte o que está dentro do CET: se houver seguro embutido, peça a simulação sem ele e compare.
- Guarde a simulação; o CET do contrato assinado deve bater com o informado.
Um exemplo com números
Suponha um empréstimo de R$ 10.000 em 24 meses com juros de 2% ao mês. Pela fórmula Price, a parcela sai em torno de R$ 529, e o total pago fica perto de R$ 12.690. Agora acrescente um IOF de cerca de R$ 190 financiado no contrato e um seguro de R$ 25 por mês embutido na parcela. O total a pagar sobe para perto de R$ 13.500, e o CET da operação fica sensivelmente acima dos 2% anunciados, na casa de 2,4% ao mês. Os números exatos variam por contrato, mas a mecânica é sempre essa: cada encargo empurra o CET para cima sem mudar a taxa do anúncio.
É por isso que duas propostas com a mesma taxa nominal podem custar centenas de reais de diferença no fim do contrato. O anúncio mostra a taxa; a fatura cobra o CET.
CET por modalidade: o que esperar
As modalidades têm faixas de custo muito diferentes, e o CET deixa isso visível. O consignado costuma ter o menor CET, porque a parcela sai direto da folha ou do benefício e o risco do banco cai. O crédito com garantia de imóvel ou veículo vem em seguida, mas atenção: avaliação do bem, registro em cartório e seguros entram no CET e podem surpreender. O empréstimo pessoal sem garantia fica acima, e linhas emergenciais, como cheque especial e rotativo do cartão, ocupam o topo do custo. Se a proposta de uma modalidade barata chegar com CET de modalidade cara, algo está errado: procure outra instituição.
Uma regra de bolso honesta: qualquer decisão de crédito tomada sem olhar o CET é um palpite. Com o CET, vira uma conta.